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A JANELA

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles, podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas. 

Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres e famílias, das suas casas, dos seus empregos, onde tinham passado as férias... E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, ele passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto, todas as coisas que ele conseguia ver do lado de fora da janela. O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora da janela.
A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças
brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem, e a tênue vista da silhueta da cidade podia ser vista no horizonte. Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava a pitoresca cena. 

Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar. Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, ele conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a refratava através de palavras bastante descritivas. 

Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital  para que levassem o corpo. Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto. 

Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu- se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo! O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto, lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. "Talvez ele quisesse apenas dar-lhe coragem...". 

Moral da História:
Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada. Se queres sentir-se rico, conta todas as coisas que tens que o dinheiro não pode comprar. "O dia de hoje é uma dádiva de vida que DEUS nos concede", as vezes para que possamos de alguma forma ajudar a alguém necessitado, fazendo assim, um pouco do trabalho de DEUS. A origem desta história é desconhecida, mas ela nos dá uma lição da qual não devemos esquecer, pois muitas vezes esperamos a perfeição para sermos felizes, sendo que a felicidade muitas vezes se encontra nas pequenas e simples coisas da vida.
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LÁGRIMAS DE SAUDADE

Contemplando o colorido
deste belo entardecer
penso em você e sinto
um imenso vazio na alma
ao recordar os momentos
que meus olhos refletiam
os raios dourados da felicidade
que contagia o coração de quem ama.

Vago entre as flores

de um jardim perfumado
e tento conter as lágrimas
que brotam em meus olhos
ao recordar os momentos
felizes que juntos
brindávamos ao amor
em prazeres voluptuosos que fundiam
nossos corpos numa só imagem,
num único ser, numa única alma
delirante de amor e perdidamente apaixonada

Por um momento
sinto o frescor da brisa
que chega com o anoitecer
e mergulho num mar de saudades
onde sou arrastado pela força
das águas da implacável solidão
que insiste em manter minha alma
prisioneira de um amor que outrora
dominou todos os meus sentimentos
fazendo-me cantar, chorar, sorrir,
delirar e sonhar com a eterna felicidade.

Imerso em meus pensamentos
vejo teu rosto emoldurado
pela luz prateada do luar
e corro ao teu encontro.

Um soluço corta os meus pensamentos
quando tropeço nas pedras da desilusão
e percebo, enfim,
que você foi os raios de sol
que um dia aqueceram a minha alma,
deixando apenas sonhos de amor
e lágrimas de saudades

P0108.2007.07

Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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UM DIA...QUEM SABE?

Um dia, quem sabe,
possamos nos conscientizar de que é possível

estarmos no lugar certo, no momento apropriado.

Um dia, quem sabe,

possamos expulsar do peito
a angústia que nos torna tão amargos

Um dia, quem sabe,
possamos olhar para o mundo e compreender
o verdadeiro sentido da vida, consolidando
o amadurecimento da nossa alma.

Um dia, quem sabe,
a despeito do nosso próprio egoísmo,
possamos entender que não é justo,
tentar fazer alguém realizar todos os nossos desejos.

Um dia, quem sabe,
possamos aprender a viver um dia de cada vez,
substituindo, com sabedoria, a emoção pela razão
e assim, cometermos menos erros.

Um dia, quem sabe,
não mais preencheremos grande parte do nosso tempo
tentando ir do nada para lugar nenhum
em busca de coisas que podem até alegrar-nos
mas nada acrescentará à nossa convivência com DEUS.

Um dia, quem sabe,
deixaremos de nos preocupar com as incertezas do futuro
e nos libertaremos das amarras do passado
vivendo o presente em toda sua plenitude
porque o momento presente é a realidade da vida
e é nele que moldamos o caminho para a eternidade

E, quem sabe, um dia
a nossa mente estará em perfeita sintonia
com as emoções do nosso coração
e com a maturidade da nossa alma,
fazendo refletir no espelho da nossa existência
a certeza de que finalmente aprendemos a viver.

P0116.2007.06

Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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SUAVE VINGANÇA

Um dia,
contemplando o pôr-do-sol
ou a luz prateada do luar
ou as estrelas no céu a brilhar

Verás,
no espelho do tempo,
a tua imagem refletida
num livro sem páginas
impresso na gráfica da tua ingratidão

Sentirás,
a doçura dos meus beijos
enquanto em vagas lembranças
recordarás o amor
que a tua insensatez não te permitiu cultivar

E quando a chuva chegar,
sentirás gotas límpidas de saudade
invadindo tua alma
enquanto lágrimas de arrependimento,
impiedosamente, queimarão tua face

Nesse dia saberás
o que é chorar por amor.

P0114.2007.06
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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A VELHA SENHORA

São 15h37m. Estou sentado à mesa na Praça de Alimentação do Madureira Shopping Rio. Divido a mesa com um adolescente que devora, com maestria, um sanduíche de três andares que, em sinal de protesto, “espirra” maionese e cat-chup para todos os lados, cada vez que é mordido. Cumprimento o guloso que, por não poder falar, levanta o polegar fazendo sinal de positivo. Finjo ignorar a lambança e dedico-me ao meu pedaço de pizza. Em menos de dez minutos o lanche está terminado (o dele e o meu). O rapazola despede-se com o tradicional linguajar dos adolescentes: - Valeu tio, fui!

Fico sozinho à mesa e entrego-me a preguiça, sem a mínima vontade de voltar para a loja onde divido a administração com a minha filha. 

Observo as pessoas transitando pelos corredores do Shopping. Uns apressados. Outros tranqüilos, geralmente em duplas, contemplando as vitrines, aparentemente sem quaisquer preocupações. Fico a pensar a quantos anos não tiro pelo menos 15 dias de férias para curtir o prazer do ócio. Hoje quebrei a infernal rotina "casa-loja-banco-loja-casa" e parei na praça de alimentação do shopping em plena hora de trabalho, coisa que raramente faço. Desde que me tornei comerciante cumpro uma estressante jornada de trabalho que nunca é inferior a 60 horas semanais. 


Sinto-me confortável e por uns poucos momentos desligo-me dos afazeres e deito-me nos braços desse ócio momentâneo. Meu olhar passeia displicente por tudo que está em minha volta. De repente sou atraído pelo olhar vago de uma velha senhora que aparentemente está igual a mim: entregue a preguiça, observando a movimentação das pessoas naquela praça de alimentação. Eu tenho 52 anos e ela deve ter entre 70 e 75.


Feições humildes, olhar um tanto sofrido, cabelos totalmente brancos. Gira com as mãos um copo vazio de coca-cola sobre a mesa e de vez em quando esboça um discreto sorriso (daqueles que não expõe os dentes). Fico a pensar no que estaria aquela velha senhora pensando. Inconscientemente, fixo-me naquele rosto que demonstra estar com o pensamento ancorado nas lembranças do passado. Não é necessário muito esforço para que eu também ancore o meu “barco” nas lembranças do passado.


Vejo-me no corpo e na alegria daqueles adolescentes, circulando, não pelos corredores de um shopping (na minha época acho que nem existiam), mas pelos parques de diversões, pelas festinhas "americanas" animadas por vitrolas, onde se tocavam Beatles, e pelos clubes, no auge da jovem guarda, quando se dançavam ao som de Fevers, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys, Vips e muitos outros. Lembro, também, que quando era menino nunca imaginei meus pais jovens. Nunca pensei que um dia eu ficaria como eles com rugas e cabelos brancos. Nunca imaginei que um dia eu ouviria a palavra papai dirigida para mim e agora estou às vésperas de ouvir a palavra mais gratificante para um homem que vê consolidado todo o seu projeto de vida humana, profissional e familiar: vovô.


Chego a pensar que a gente, quando é criança ou muito jovem, pensa que os velhos nasceram velhos.


Hoje me vejo com 52 anos, às portas da aposentadoria, na praça de alimentação de um Shopping, viajando pelas estradas do meu passado, relembrando a minha infância, a minha adolescência, a minha juventude e os meus projetos de vida, que não foram inúteis, tentando decifrar os pensamentos de uma velha senhora que aparentemente está viajando pelas mesmas estradas que eu. Quem sabe, neste momento, os pensamentos dela estejam irmanados com o meu e juntos pensamos que um dia também fomos jovens, brincamos, cantamos, bebemos, farreamos e nos entregamos nos braços de um amor, mesmo que tenha sido de forma irresponsável, achando que nossas reservas de vida jamais se acabariam.

Permaneço ali, sentado à mesa com a mão no queixo, apenas fisicamente porque a minha alma desprendeu-se do corpo e viajou numa velocidade incrível por lugares que eu jamais pensei que voltaria e que agora tenho absoluta certeza que jamais esquecerei.


São 16h22m, tenho que ir. Recolho os meus pensamentos e deixo a velha senhora pensando por ela e por mim. Levanto e saio lentamente. Passo pela minha companheira de pensamentos e sinto vontade de interromper a sua “viagem” com um delicado e carinhoso boa tarde, mas desisto e sigo o meu caminho.


No trajeto, entre a praça de alimentação e o estacionamento do shopping, com um sorriso discreto nos lábios, penso naqueles jovens adolescentes, que hoje brincam, cantam e sorriem alegremente, amanhã, tão velhos como eu e a velha senhora, um pouco mais velhos talvez, sentados em algum lugar, observando as pessoas que circulam em sua volta, relembrando os momentos que vivem agora e esboçando um discreto sorriso que ninguém conseguirá decifrar.


P0213.2008.06
Copyright © 2008 by Magno R Almeida
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LABIRINTO DE DESENGANOS


Não queira mutilar
meus sentimentos
Impedindo-me de gritar,
através da minha pretensa poesia,
os versos tortos
que brotam da minha alma

Deixe-me só!
O nosso amor ruiu
A nossa paz fugiu...

Vá em paz!
Sem lágrimas,
sem mágoas e
sem ressentimentos

Melhor assim...
Não te prendas a mim
Não posso te amar
como um dia já te amei

Siga em paz!
Lembre-se apenas
dos bons momentos
que um dia
compartilhamos a dois

O nosso amor não resistiu.
Cambaleou...
Caiu...

Perdeu-se
num labirinto de desenganos
Vitima dos momentos insanos
Dos quais não conseguimos fugir

Vá!
Siga em paz!

Deixe-me só!

P0090.2007.04
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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NUVENS DE SOLIDÃO

Desatei os nós
que me prendiam ao passado...

Ocupei os espaços perdidos
no vazio do meu coração...

Libertei-me da angústia do silêncio
e vi o dissipar cadenciado
das nuvens da solidão

Lancei ao espaço
todas as lembranças que ainda
restavam de ti e,
num ímpeto de fúria,
despachei a saudade...

Mas, de repente,
olhei ao redor...
recolhi os cacos da incerteza
e constatei, enfim,
que sou nada
sem você


P0165.2008.03
Copyright © 2008 by Magno R Almeida
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TRISTE REALIDADE

Sonhos
desmoronados
como um
castelo de areia...
Passos tristes
e vacilantes
que não olham
para traz...

No rosto,
a marca triste
do adeus...

No peito,
um vazio angustiante
a espera do amanhã


P0251.2008.10
Copyright © 2008 by Magno R Almeida
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A TUA GEOGRAFIA

A geografia do teu corpo me encanta
Quando me perco em tuas curvas divinais
Teus verdes olhos o teu rosto agiganta
Teu beijo doce quero mais...e mais...e mais!


O teu sorriso me conquista e me fascina
Os teus abraços me aquecem com ternura
Tua saliva quando sorvo... Que doçura!
É indescritível o amor que me domina


Ah! Se eu pudesse te dar toda a minha vida
Serias sempre a minha Bela Adormecida
Serias sempre a mulher que desejei


Mas de repente te procuro e não encontro
Saio do quarto corro a casa e fico tonto
Infelizmente foi um sonho acordei



P0173.2008.05
Copyright © 2008 by Magno R Almeida
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PORQUE ?

Você
que um dia
afastou a tristeza
do meu coração e
emoldurou, com a luz do seu olhar,
um sorriso nos meus lábios

Você
que um dia
aqueceu-me nas noites frias
e me fez ver o brilho das estrelas
entre as nuvens cinzentas
que escondia o meu ser

Você
que se fez luz do meu caminhar
na estrada escura das desilusões

Você
que me ensinou a amar
que me fez sonhar
e encantou o meu coração

Parte agora em silêncio
sem um adeus de despedida
deixando-me a deriva num mar
de lágrimas e saudades

Porquê?


P0112.2007.06

Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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JUÍZO FINAL

Não tenho procuração de Deus
para tentar modificar 
as pessoas ou o mundo.

Cada cabeça é um sentença 
e cada qual faz o que bem entende.

Minha missão é viver na paz 
que for possível e no fim de cada dia
levitar nas culpas do meu pecado
até o juízo final. 

Forte ou Fraco. 
Saudável ou não.
Cristão ou Ateu. 
Não importa a crença.
Todos os caminhos 
levam ao mesmo destino.

Lá, todos com Ele
se encontrarão. 
Assim acredito.

P0089.2007.04 
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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INSOLENTE "GENERAL"

Ora, vá te catar!
Insolente “general”.

Não quero saber
o que pensas de mim
ou da minha escrita

Não escrevo pra te agradar

Escrevo pra desabafar
e assim faço
da forma que quero e penso

Tua critica descabida,
insolente “general”,
é o símbolo da tua arrogância
prepotência, ignorância
e incompetência para lidar
com o cotidiano.

Cale a boca,
Insolente “general”,
eu não tenho satisfações a te dar

Quer saber?
Vá te catar!
Insolente general.

P0380.2013.05
Copyright © 2013 by Magno R Almeida
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INFERNO OU PARAÍSO ?

Enquanto o sol se põe
na linha do horizonte
sinto gotas de paz,
trazidas pela brisa do mar,
acariciando todo o meu ser.

Enquanto o astro-rei descansa
a lua surge sorridente,
acompanhada pelas estrelas
que bailam no céu a brilhar

Perco-me no êxtase desses momentos
e vejo meus sentimentos,
ocultos por meus segredos,
arrastados para a imensidão
deste vazio que, repentinamente,
invade a minha alma
trazendo de volta a solidão
que insiste em manter-se como
minha eterna companheira.

Meus nervos explodem enquanto
o meu coração mergulha num mar
de lembranças que entremeiam
momentos de paz, angústia,
lágrimas, sorrisos, alegrias,
tristezas, amores,
paixões e desilusões.

Percebo, enfim, que o suor
da saudade escorre pelo meu corpo
enquanto minha alma, castigada pelo
frio que lhe atormenta,
busca um cobertor que lhe aqueça.

O que é isto?
Inferno ou Paraíso?

P0107.2007.06 
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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"PROFETAS LITERÁRIOS"

Que venham
os "grandes poetas”... 

Falsos profetas literários;
pretensos críticos;
extraordinários prolixos;

Autores e senhores
de suas exclusivas razões.

Gritem, menosprezem,
cuspam bobagens,
vomitem o fétido 
egoísmo de suas almas;

Mergulhem nas profundezas
da arrogância e da prepotência;

Depois,
mirem-se no espelho
e atirem a primeira pedra!

P0190.2008.06
 
Copyright © 2008 by Magno R Almeida
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SONETO DA FELICIDADE - Vinícius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure


Vinícius de Moraes
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NO SILÊNCIO DA ALMA

Inspiro-me na luz do silêncio
desta madrugada...

Sonho acordado e vejo-me
numa tarde sombria de primavera com
total ausência de cor

Rabisco versos, sem rimas e sem sentido,
que são meros desabafos da alma

Angustiado sinto-me invadido pela
implacável solidão que tenta dominar o meu ser

Navego por mares revoltos lutando contra a força da desilusão que tenta projetar em minha alma um futuro de incertezas

Tento esquecer o passado e busco renovação
de energias para um novo amanhecer

Olho para o horizonte tentando visualizar
a estrada na qual darei início a um novo caminhar e
nela vejo jardins floridos cercados por pedras e espinhos
que tentarão impedir a minha chegada

Tento não me abater e peço a Deus que me conceda
paz, força, paciência e habilidade para que eu possa completar este
novo ciclo que se inicia em minha vida

Fecho os olhos e sinto a brisa acariciando o meu rosto
trazendo-me um alento de paz e esperança
neste novo amanhecer que me espera

E assim vou seguindo...

Calado...
Carente...
Solitário...

Relembrando o passado
e revivendo momentos de
um amor fracassado

P0091.2007.04
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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O SONETO DA MINHA REVOLTA

Cansado de viver nessa masmorra
Agora vou gritar o que eu sinto:
- O Congresso Nacional é uma porra!
Duvido que alguém diga que eu minto

É muita podridão nos bastidores
E até lá no Palácio da Alvorada
Desfilam pelo palco dos horrores
Políticos fazendo suas cagadas

E o chefe da quadrilha vai mentindo
Engana o pobre povo e vai sorrindo
Dizendo que não sabe e nada viu

Se eu fosse um Bin Laden brasileiro
Juntava todos eles num braseiro
E mandava para a puta que os pariu!

P0230.2008.07
Copyright © 2008 by Magno R Almeida
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A SUA LÓGICA É COMPLICADA

Não me leve a mal.
Não dá mais para me preocupar
com o que você pensa.

Fiz de tudo,
mas nunca consegui entender
a sua lógica de pensar.

Infelizmente,  
não posso deixar-me levar
por algo que não vingou.

A nossa história de amor
é apenas uma página em branco
em nossas vidas e nada restou
para lembrar ou guardar.

Além disso,
a minha memória está lotada
e não há espaço para guardar
o que me faz lembrar de você

P0318.2012.12
Copyright © 2008 by Magno R Almeida
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DESILUSÕES

Contemplando a fumaça deste maldito cigarro perco-me na imensidão da minha tristeza
e vejo, na esteira das minhas recordações,
retalhos amontoados dos tempos de paz
onde o amor dava-me uma
imensa alegria de viver.

Hoje, de mãos dadas com a saudade,
caminho sem destino tentando
conter lágrimas teimosas que
rolam por minha face.

Lamento o tempo perdido
e sinto feridas cicatrizadas serem
reabertas pelas lembranças que
me conduzem a essa estrada,
margeada por pedras soltas,
onde repousam as minhas recordações.

Nelas vislumbro pequenas visões
de sonhos interrompidos
e muitos retalhos esfarrapados
de um amor fracassado.
Diluído pelo tempo e derrotado
pelas mágoas, decepções
e ressentimentos que tatuaram marcas
profundas em minha alma.

Perdido nessas lembranças,
fixo o olhar no horizonte
e entrego-me a devaneios
que só minha alma conhece.

Um misto de tristeza e saudade
me conduz aos áureos tempos em
que ostentava e habitava
um coração apaixonado.

Recordo momentos felizes que um dia
escreví na história de minha vida
e sinto um imenso vazio no fundo
do meu ser.

Como botões que jamais se abrirão em rosas,
fecho-me em carinhos contidos que hoje
são meros frutos de uma safra sem colheita
e percebo, enfim, que tudo acabou...

P0095.2007.05
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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MOTIVO - Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.


Cecília Meireles
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CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO - Drummond

Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,

o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,

cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,

cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,

depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade

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EM BUSCA DO OURO - Clarisse Lispector

Não é à toa que entendo os que buscam caminho. Como busquei arduamente o meu! E como hoje busco com sofreguidão e aspereza o meu melhor modo de ser, o meu atalho, já que não ouso mais falar em caminho. Eu que tinha querido. O Caminho, com letra maiúscula, hoje me agarro ferozmente à procura de um modo de andar, de um passo certo. Mas o atalho com sombras refrescantes e reflexo de luz entre as árvores, o atalho onde eu seja finalmente eu, isso não encontrei. Mas sei de uma coisa: meu caminho não sou eu, é o outro, é os outros. Quando eu puder sentir plenamente o outro estarei salva e pensarei: eis o meu porto de chegada.

Clarisse Lispector
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O ÚLTIMO POEMA - Manuel Bandeira

Assim eu quereria meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira
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SOLITÁRIO - Augusto dos Anjos

Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!

Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta…
Cortava assim como em carniçaria
O aço das facas incisivas corta!

Mas tu não vieste ver minha Desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
-Velho caixão a carregar destroços-

Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!


Augusto dos Anjos
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PONTA CABEÇA

A grande maioria daqueles
que criticam o que leram
não conseguem enxergar
uma única micro gota
do que leram.

Essas pessoas não percebem
que para entender um texto
não basta saber o significado
das palavras.

É preciso viver o sentimento
de quem escreve e não importa
se este sentimento
é real ou imaginário

P0383.2013.07
Copyright © 2013 by Magno R Almeida
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A NOITE CAIU

A noite caiu
Foda-se a noite
O frio chegou
Foda-se o frio
e a noite

O sangue quente
que circula em
minhas veias
aquece a solidão
que se aconchega
ao meu peito

Foda-se o frio
Foda-se a noite
Foda-se o mundo

Tô nem aí!

P0267.2009.06
Copyright © 2009 by Magno R Almeida
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