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O LIVRO DA VIDA


A vida é como um livro de memórias onde escrevemos, diariamente, capítulos da nossa história. Cada capítulo deve registrar, de forma inequívoca, nossas vitórias, nossas derrotas, nossas alegrias e nossas tristezas até chegarmos à última página onde já está escrito a palavra FIM.
Por isso, é de fundamental importância dar o máximo de nós para que possamos deixar gravado nas páginas do nosso “livro de ouro” o melhor de nossa vida.

Pense nisso!

P0079.2008.10
Copyright © 2008 by Magno R Almeida
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LUIZ GONZAGA O REI DO BAIÃO

Hoje acordei saudoso
Do nobre Rei do Baião
Que tanto alegrou o povo
Da cidade e do Sertão
Luiz Gonzaga é o seu nome
E o apelido é Gonzagão

Gonzagão nobre poeta
Da cultura popular
No Brasil de Norte a Sul
Fez sua estrela brilhar
Cantando Xote e Baião
Fez a sanfona falar

Na fazenda Caiçara
Nasceu o Rei do Baião
Cresceu tocando zabumba
Mais tarde acordeão
E pelo país inteiro
Mostrou a dor do Sertão

Numa sala de reboco
Dançou com o seu benzinho
Viu Asa Branca voar
Partindo triste do ninho
Mostrou o flagelo da seca
E dançou Xote de mansinho

Por um amor proibido
Luiz Gonzaga apanhou
Revoltado com os pais
O pé na estrada botou
E sem saber o que fazer
No exército se alistou

O "cabra da peste" Gonzaga
Nordestino arretado
Viajou pelo Brasil
Ainda como soldado
Mas no Rio de Janeiro
O "cabra" ficou encantado

Pediu dispensa da farda
E na zona foi tocar
Solando acordeão
Foi tentando se firmar
Tocando samba e choro
Não saia do lugar

Mas como um soldado bravo
Luiz Gonzaga insistiu
E num programa de calouros
Despontou para o Brasil
Quando a platéia de pé
Empolgada lhe aplaudiu

Aos poucos Luiz Gonzaga
Foi mostrando a Nação
Com talento e humildade
Como se canta Baião
Conquistou ricos e pobres
Na cidade e no sertão

Cantou com desenvoltura
Toada, xaxado e xote
Aboio, chamego e baião
No sudeste, sul e norte
O fole da sua sanfona
Somente calou-se com a morte

No ano oitenta e nove
O Brasil entristeceu
Quando o fole da sanfona
De Gonzaga emudeceu
Naquele dois de agosto
O Rei do Baião morreu

Gonzagão deixou saudades
No coração do Brasil
Naquela manhã de agosto
Quando daqui partiu
Mas seu canto ainda ecoa
Pelo céu azul anil

P0177.2008.06
Copyright © 2008 by Magno R Almeida

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POR VOCÊ

Como disse o poeta:
“Por você eu dançaria tango no teto”
“Eu limparia os trilhos do metrô”
“Eu iria a pé do Rio a Salvador”

Mas como eu não sou poeta
Não sei dançar tango
Não trabalho no metrô
E não tenho tempo para fazer caminhadas
Pensei em realizar coisas mais “viáveis”.
E assim, decidi que por você:

Eu iria ao infinito
buscar estrelas para te presentear...
Eu guardaria a lua
para iluminar todas as suas noites...
Eu mandaria o sol
aquecer o teu corpo todas as manhãs...
Eu traria o arco-íris
para fazer morada na tua janela...
Eu determinaria aos pássaros
que cantassem diariamente pra você...
Eu construiria uma ponte
para te levar até o céu...
Eu chamaria uma fada
para transformar o seu mundo
num jardim florido e perfumado...
Eu diria ao vento
que mandasse brisas permanentes
para refrescar o teu corpo...

E por fim, querida,
Eu pediria a Deus
que nunca ofuscasse
o brilho do teu olhar.

Pediria a ELE que mantivesse
tua alma sempre iluminada 
e o meu coração sempre
apaixonado por você.

P0050.2006.10
Copyright © 2006 by Magno R Almeida
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A VIDA QUE DEUS ME DEU

Porque eu faço o que faço?
Nem eu mesmo sei dizer
Mas se eu não fizer o que faço
Como vou sobreviver?

Se fazendo o que eu faço
Já está difícil viver
Se eu não fizer o que faço
Então é melhor morrer

Faço tudo o que eu posso
Tentando fazer-me entender
E quando não faço o que posso
Querem logo me prender

Ando certo quando posso
Quando não posso erro o passo
E se não acerto o passo
Tropeço e lá vem o fracasso

Como ocupar meu espaço
Se não sei para onde vou
Perdido nesse compasso
Da solidão que ficou

Vencido pelo cansaço
Sigo a vida passo a passo
Depois de tantos embaraços
Vou em paz contando os passos

Pela estrada da saudade
Meus passos já não são meus
Mesmo assim sigo sorrindo
Com a vida que Deus me deu

P0119.2007.06
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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A HORA DA PARTIDA


Um dia todos nós partiremos para outra dimensão...

Aqui ficarão, apenas, as lembranças das nossas ações, dos nossos sorrisos, da nossa alegria...

Quando chega a hora da partida é porque a nossa missão está cumprida

Triste, e até certo ponto conflitante, é termos a
certeza de que nunca saberemos a hora do embarque

Este momento não é anunciado e pega-nos
de surpresa não nos permitindo concluir
uma série de projetos idealizados ou em andamento

Muitas coisas ficam inacabadas

Sei que um dia também embarcarei nesta viagem 
e não terei tempo para despedir-me
das coisas e das pessoas que eu tanto amo...

Partirei, abruptamente, deixando a minha família,
meus amigos, meus amores do passado
e aquele que estiver no meu presente...

Partirei sem me despedir do silêncio
que ao longo de tantos anos habitou o meu ser

Partirei, sem ao menos, me despedir dos dias
e das noites felizes que passei ao lado de alguém
e, também, daqueles dias e noites que
tive como companheira a impiedosa solidão

Ah! Quantas saudades sentirei do sol, que aqueceu o meu frio;
da chuva, que lavou minha alma;
do vento que secou minhas lágrimas;
do mar, que me embalou ao sabor das ondas;
dos campos e das flores, que me encantaram com o seu perfume;
do céu, da lua e das estrelas, que tanto acariciaram a minha alma;
e, acima de tudo, da minha perseverança na eterna luta
em busca da paz e da felicidade

Sabendo disso,
peço, a todos que forem indagados sobre mim,
que digam que eu amei, sorri, sofri, chorei,
encantei-me com a vida, tive paixões e desilusões,
e até tive alguns momentos de felicidade
mas digam principalmente que eu nunca desisti de viver.

Digam, também, que os anjos levaram-me 
ao sabor do vento e, ao longo de toda viagem, 
cantaram lindas canções acalmando a minha alma.

Sei que algumas lembranças de mim 
ficarão eternizadas em alguns corações 
em forma de saudades

Mas saibam também que, 
lá em minha nova morada,
a saudade também se fará presente 
e estarei torcendo para cada um de vocês

Ah! Nunca esqueçam de dizer 
que eu parti levando no peito
a esperança de encontrar, 
lá do outro lado da vida,
a tão sonhada paz e felicidade 
que eu tanto busquei
enquanto deste lado da vida habitei.

P0074.2007.03
Copyright © 2007 by Magno R Almeida
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POBRE MOÇA


Lá vem de novo aquela moça desgrenhada
Com os pés descalços e com a roupa em desalinho
Vem tropeçando pelos cantos da calçada
Cambaleando vai seguindo o seu caminho

Que pobre moça, como é triste o seu destino
Já foi tão bela mas ficou tão feia e torta
Vagando vai pelo seu mundo clandestino
Ainda vive mas parece que está morta

Amargurada e com o peito torturado
Tentou curar suas feridas do passado
Esmoreceu e ao inimigo sucumbiu

Deixou que as drogas dominassem sua vida
Entrou num mundo irreal, vive perdida
Tão bela moça que a droga destruiu.

P0026.2004.02
Copyright © 2004 by Magno R Almeida
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DÁ-ME A TUA MÃO - Clarisse Lispector

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei naquilo que existe
entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
– nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio


Clarisse Lispector
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