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FRASES VAZIAS NUMA NOITE FRIA


Rabisco versos ao sabor do vento
que sussurra em meus ouvidos 
a inspiração do nada.

Inconformado com as ondas 
deste nada que me inspira,
escrevo sem pensar e sem noção do tempo 
e da hora em que devo parar.

Meus pensamentos se perdem na ausência
do que não sei explicar e, mesmo assim, 
continuo a rabiscar.

Escrevo...Rabisco... 

Apago e volto a escrever sem parar.

Gotas de orvalho, 
choradas pela fria madrugada,
acomodam-se sobre as camadas do nada
que inspira o meu versar.

Enquanto isso, o meu lápis faz surgir,
nas páginas do meu caderno,
palavras soltas que se transformam 
em frases vazias.

O tempo passa..O frio aumenta...

As gotas de orvalho continuam caindo e insistem em repousar 
sobre a cruel camada do nada que me inspira.

Num lúcido lampejo, percorro com os olhos 
tudo o que me cerca e percebo, enfim, 
que as camadas do nada que me inspira
são oriundas do nada que eu sou.

Simplesmente,
pelos erros que eu cometi...
pelo sorriso que eu não sorri...
pelas flores que eu não colhi...
pelo abraço que eu não dei...
pelo beijo que eu neguei...
pelo perdão que eu rejeitei...
pelo amor que eu não amei!

P0164.2008.03
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