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DESILUSÕES

Contemplando a fumaça deste maldito cigarro perco-me na imensidão da minha tristeza
e vejo, na esteira das minhas recordações,
retalhos amontoados dos tempos de paz
onde o amor dava-me uma
imensa alegria de viver.

Hoje, de mãos dadas com a saudade,
caminho sem destino tentando
conter lágrimas teimosas que
rolam por minha face.

Lamento o tempo perdido
e sinto feridas cicatrizadas serem
reabertas pelas lembranças que
me conduzem a essa estrada,
margeada por pedras soltas,
onde repousam as minhas recordações.

Nelas vislumbro pequenas visões
de sonhos interrompidos
e muitos retalhos esfarrapados
de um amor fracassado.
Diluído pelo tempo e derrotado
pelas mágoas, decepções
e ressentimentos que tatuaram marcas
profundas em minha alma.

Perdido nessas lembranças,
fixo o olhar no horizonte
e entrego-me a devaneios
que só minha alma conhece.

Um misto de tristeza e saudade
me conduz aos áureos tempos em
que ostentava e habitava
um coração apaixonado.

Recordo momentos felizes que um dia
escreví na história de minha vida
e sinto um imenso vazio no fundo
do meu ser.

Como botões que jamais se abrirão em rosas,
fecho-me em carinhos contidos que hoje
são meros frutos de uma safra sem colheita
e percebo, enfim, que tudo acabou...

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Copyright © 2007 by Magno R Almeida